Shirayuri e Ikehara Shuzo — a pequena destilaria de Ishigaki que faz awamori em fogo direto e à mão desde 1951
Em Okawa, no centro da cidade de Ishigaki, uma pequena destilaria de awamori trabalha desde 1951: a Ikehara Shuzo, casa do Shirayuri, um awamori conhecido pela força do seu caráter.
O nome Shirayuri — “lírio branco” — foi escolhido pelo fundador, Ikehara Yokichi: ele queria que a bebida carregasse a limpidez e o frescor dos lírios que florescem nos campos de Ishigaki no início da primavera. Quando o fundador morreu, a avó do atual dono assumiu como segunda geração. Hoje, quem cuida da destilaria é a terceira: Ikehara Yu, nascido em 1987, que voltou para a ilha depois do terremoto de Tohoku de 2011 e assumiu o negócio da família em 2013.
Um alambique de fogo direto há mais de 70 anos, e tudo feito à mão
No centro do trabalho da Ikehara Shuzo está um alambique usado há mais de 70 anos, aquecido diretamente pela chama. É o método antigo: comparado à destilação a caldeira, mais eficiente, dá muito mais trabalho — mas produz um sabor mais denso e mais personalidade. O contorno do Shirayuri é desenhado por esse alambique.
Todas as etapas são manuais: lavar o arroz, preparar o koji, cuidar do moromi (o mosto em fermentação), destilar, engarrafar e colar os rótulos um a um. Nada é adicionado — a produção é 100 % natural — e a filtragem é deixada grossa de propósito, preservando as impurezas que dão complexidade ao sabor. A água vem dos veios de água macia do monte Omoto, a montanha mais alta da província de Okinawa. Dois dias para o koji, duas semanas de fermentação e depois a destilação: uma garrafa de awamori leva cerca de três semanas para nascer.
Por que insistir no trabalho manual? Ikehara Yu explica assim: dedicar tempo e carinho a cada garrafa tem valor em si. Com máquinas, diz ele, é difícil criar memórias com os clientes.
“Quebrar para proteger” — uma tradição que evolui
O Shirayuri tem aromas densos, terrosos, com uma nota que lembra baunilha. É um awamori de caráter forte — e é justamente por isso que tem fãs tão fiéis. Eles são chamados de “Shirayurists” e formam uma comunidade junto com a destilaria. O interessante é a variedade das vozes que chegam: tem quem sinta falta da aspereza de antigamente e quem garanta que nunca esteve tão bom. Aí se lê, tal e qual, a filosofia da casa: uma tradição se herda bem quando não é apenas preservada, mas evolui com a sua época.
O princípio da terceira geração é “quebrar para proteger — primeiro, experimentar”. Fiel a isso, a destilaria adotou de propósito o inui-kin, uma cepa rara de koji preto usada antes da guerra, e desenvolveu com os fãs, por crowdfunding, um novo produto: o Shirayuri inui 44. Em 2021, essa aposta levou o Shirayuri Inui a ganhar o Double Gold e o prêmio Best of Class na San Francisco World Spirits Competition — um feito inédito na história do awamori.
O futuro da casa, e um balcão com quem conversar
A destilaria é pequena e a produção, limitada. Ainda assim, a terceira geração vê aí sua força: um controle de qualidade e uma originalidade possíveis justamente por ser pequena — com a ambição de levar o awamori ao mundo e fazer da destilaria um motivo para se visitar a ilha.
E esta casa tem um balcão com quem se pode conversar desde antes da viagem. É um balcão de consulta on-line aprovado oficialmente pelo próprio dono: você pode perguntar como escolher um Shirayuri, sobre a destilaria ou sobre a ilha de Ishigaki. Fica claro que quem responde é uma IA, e o conteúdo se baseia em informações de primeira mão do próprio dono. É grátis.
Perguntas frequentes
Quando a Ikehara Shuzo foi fundada?
Em 1951. A casa passou por três gerações da família: do fundador, Ikehara Yokichi, para a avó, segunda geração, e dela para o atual dono, Ikehara Yu, que assumiu em 2013.
Qual é o sabor do Shirayuri?
Aromas densos e terrosos, com uma nota que lembra baunilha. É um awamori de caráter forte, com fãs fiéis, e fica mais macio conforme o envelhecimento e o jeito de beber.
O que muda na destilação em fogo direto?
É o método tradicional de aquecer o alambique diretamente na chama; a Ikehara Shuzo usa o mesmo alambique há mais de 70 anos. Comparada à destilação a caldeira, mais eficiente, dá um sabor mais denso e mais personalidade.
A destilaria tem prêmios?
Sim. Em 2021, o Shirayuri Inui ganhou o Double Gold e o Best of Class na San Francisco World Spirits Competition — um feito inédito na história do awamori.